Como a ausência de planejamento para a manutenção do intertravado permeável afeta a drenagem urbana?  

Diego Velázquez
By Diego Velázquez 5 Min Read
Valderci Malagosini Machado

Para o Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, o intertravado permeável entrou definitivamente no vocabulário dos projetos de infraestrutura urbana sustentável no Brasil, e por boas razões. A capacidade de infiltrar água no solo, reduzir o escoamento superficial e contribuir para a recarga do lençol freático coloca esse sistema entre as soluções mais promissoras para cidades que enfrentam alagamentos recorrentes.

Para engenheiros, arquitetos e gestores públicos que trabalham com sustentabilidade urbana e pavimentação, compreender o ciclo de vida do intertravado permeável é tão importante quanto saber dimensioná-lo. O que segue é uma análise técnica direta sobre colmatação, manutenção de pavimento e as decisões que determinam se esse sistema vai durar anos ou meses com desempenho real.

O processo silencioso que compromete a drenagem urbana

A colmatação é o acúmulo progressivo de partículas sólidas nos vazios do pavimento permeável, sejam eles os poros internos do bloco, as juntas abertas entre peças ou a camada de brita que compõe a base drenante. Conforme observa o Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim e especialista em sistemas construtivos, o processo é inevitável em qualquer pavimento permeável exposto ao uso real, mas a velocidade com que ocorre depende diretamente das condições do entorno e da frequência de manutenção.

Áreas com cobertura vegetal intensa, presença de areia ou terra carreada pelo vento, tráfego de veículos pesados com pneus sujos e proximidade de obras em andamento são os ambientes de maior risco de colmatação acelerada. Em contextos urbanos de alta densidade, onde o pavimento permeável é instalado em calçadas, estacionamentos ou praças, é comum que a taxa de infiltração caia a menos de 50% da capacidade original em menos de três anos sem qualquer intervenção de limpeza.

É possível recuperar a permeabilidade de um pavimento já colmatado?

A resposta é sim, desde que a colmatação ainda esteja restrita às camadas superficiais do sistema. Como elucida o Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, o método mais eficaz e menos invasivo para recuperação da permeabilidade é a aspiração a vácuo combinada com lavagem de alta pressão, executada com equipamentos específicos para pavimentos drenantes. Esse procedimento remove os finos acumulados nas juntas e na superfície porosa do bloco sem danificar a estrutura do pavimento ou deslocar as peças.

Para casos de colmatação mais profunda, onde os finos já migraram para a camada de brita, a intervenção é mais complexa e pode exigir a remoção parcial das peças para limpeza e recomposição da base. Nesses casos, o custo de recuperação é significativamente superior ao de uma manutenção preventiva regular, o que reforça o argumento econômico para incluir o plano de manutenção desde a fase de projeto.

Valderci Malagosini Machado
Valderci Malagosini Machado

Sustentabilidade real exige ciclo de vida, não apenas especificação inicial

Um dos equívocos mais comuns em projetos que adotam o intertravado permeável como solução de sustentabilidade urbana é tratar a instalação como o ponto de chegada, e não como o ponto de partida de um compromisso técnico de longo prazo. Sob essa perspectiva, o Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, aponta que a sustentabilidade real de um pavimento drenante se mede pelo desempenho acumulado ao longo de anos, não pela taxa de infiltração medida na semana seguinte à execução.

Isso implica uma mudança de postura no planejamento de obras públicas e privadas. O orçamento de implantação precisa contemplar o custo de manutenção periódica desde a fase de licitação ou aprovação do projeto. Contratos de gestão de infraestrutura urbana que incluem pavimentos permeáveis deveriam estabelecer indicadores de desempenho hidráulico, com medições periódicas de taxa de infiltração como critério de conformidade, e não apenas inspeções visuais.

Pavimento permeável como infraestrutura ativa

O conceito de cidades-esponja, que busca integrar infraestrutura verde e soluções de drenagem distribuída no tecido urbano, coloca o pavimento permeável em uma posição estratégica nos planos diretores e programas de mobilidade das principais cidades brasileiras. O Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, resume que, para que esse potencial se concretize, é preciso superar a visão de que o pavimento é apenas uma camada de acabamento do espaço público. Ele é infraestrutura ativa, com função hidráulica mensurável e impacto direto na resiliência urbana frente a eventos climáticos extremos.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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