Fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã e disputa entre petróleo e inflação deixam o BTC sem direção clara nesta semana.
O Bitcoin voltou a operar em uma faixa apertada entre 63 mil e 65 mil dólares nesta terça e quarta-feira, sem conseguir romper a resistência que separa o mercado de um novo movimento de alta. O gatilho para a instabilidade veio de fora do universo cripto: o recrudescimento do conflito no Golfo Pérsico, com o Irã anunciando o fechamento do Estreito de Ormuz após ataques dos Estados Unidos a alvos militares no país. A combinação entre petróleo em alta e apreensão geopolítica tem deixado investidores cautelosos, mesmo com sinais pontuais de recuperação no fim de semana. Quem acompanha o mercado de perto sabe que esse tipo de cenário costuma gerar a mesma pergunta: o Bitcoin ainda funciona como proteção em momentos de crise, ou reage como qualquer outro ativo de risco quando a tensão internacional aumenta? A resposta, pelo menos nesta semana, parece mais próxima da segunda opção.
O que está movendo o preço do Bitcoin agora
O fim de semana trouxe uma escalada real no conflito: segundo o Cointelegraph Brasil, os Estados Unidos lançaram uma terceira rodada de ataques contra cerca de 140 alvos militares iranianos, depois que um navio cargueiro foi atingido pela Guarda Revolucionária do Irã. Em resposta, Teerã declarou o Estreito de Ormuz fechado “até novo aviso”, embora o tráfego marítimo não tenha parado por completo: o volume de navios cruzando a região caiu para 34 por dia, ante uma média normal de 88. O petróleo reagiu com força, com o WTI avançando mais de 4% e se aproximando de 80 dólares o barril, o que reacende o temor de pressão inflacionária nos Estados Unidos.
Diante desse pano de fundo, o Bitcoin tem alternado entre quedas rápidas e recuperações também rápidas. Um short squeeze na sexta-feira anterior liquidou cerca de 214 milhões de dólares em posições vendidas e levou o preço a 64.200 dólares, segundo dados citados pelo Cointelegraph Brasil. Esse tipo de movimento costuma acontecer quando um grande volume de apostas contra o ativo é forçado a se encerrar de uma vez, o que empurra o preço para cima de forma abrupta e, muitas vezes, temporária.
Já nesta terça-feira, 14 de julho, o CoinDesk registrou o BTC próximo de 64.500 dólares, com alta de cerca de 3% em 24 horas, impulsionado por um dado de inflação ao consumidor mais fraco do que o esperado nos Estados Unidos. A leitura do mercado, porém, mudou de novo horas depois, quando o retorno do bloqueio de Ormuz voltou a pressionar o petróleo para cima e a esfriar o otimismo que havia surgido com o CPI. Esse vaivém mostra como o Bitcoin, hoje, responde a dois estímulos que caminham em direções opostas: dados de inflação mais amenos tendem a favorecer ativos de risco, enquanto a escalada no Oriente Médio funciona como um freio.
Fluxo de ETFs ainda não aponta uma direção única
Os fundos de índice de Bitcoin à vista negociados nos Estados Unidos continuam sendo um termômetro importante para entender o apetite institucional pelo ativo. Segundo o Cointelegraph Brasil, os ETFs à vista registraram mais de 100 milhões de dólares em entradas líquidas no dia 10 de julho, um sinal de que parte dos grandes investidores segue comprando na baixa. Na sexta-feira seguinte, a captação somou 90,4 milhões de dólares, com a maior parte concentrada no IBIT, fundo administrado pela BlackRock.
Ainda assim, o saldo acumulado dos últimos 30 dias permanece negativo em 4,73 bilhões de dólares, o que indica que o movimento de saída de capital dos ETFs, iniciado ainda no primeiro semestre, não foi revertido por completo. Essa divergência entre entradas pontuais e o saldo mensal negativo ajuda a explicar por que o preço do Bitcoin segue andando de lado: parte dos grandes investidores volta a comprar em dias específicos, mas o fluxo geral de capital institucional ainda não mudou de direção de forma consistente.
O índice Fear & Greed, que mede o sentimento do mercado cripto, subiu para 28 pontos nesta semana, uma leitura ainda dentro da faixa de medo, mas em recuperação em relação às semanas anteriores, quando chegou a rondar os 22 pontos, território de medo extremo. Analistas ouvidos pelo Cointelegraph Brasil apontam que o BTC mantém viés de baixa no curto prazo, já que o preço segue abaixo das principais médias móveis exponenciais, um indicador técnico usado para identificar tendências e possíveis pontos de reversão.
O que observar nos próximos dias
Para quem acompanha o mercado, o desfecho do conflito entre Estados Unidos e Irã, somado à divulgação de novos dados de inflação americana, deve continuar pautando o humor dos investidores em criptomoedas. A faixa entre 61.500 e 64.500 dólares tende a concentrar boa parte da negociação no curto prazo, com uma resistência mais decisiva situada entre 65.600 e 65.800 dólares. Vale reforçar que o mercado de Bitcoin é extremamente volátil e que movimentos de curto prazo não indicam necessariamente uma tendência de longo prazo. Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui recomendação de compra ou venda de qualquer ativo financeiro.
Fontes consultadas:
https://cointelegraph.com.br/news/bitcoin-price-today-july-13-2026
https://www.coindesk.com/daybook-us/2026/07/15/bitcoin-rally-cools-as-investors-digest-inflation-data-oil-clouds-outlook
https://www.coindesk.com/business/2026/07/14/live-updates-bitcoin-holds-usd62-600-as-the-iran-conflict-reignites-and-cpi-looms