Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, médico radiologista, lembra que a maior parte dos nódulos e alterações encontrados nas mamas não é câncer. Ainda assim, quem percebe um caroço ou recebe um laudo com um achado novo costuma pensar imediatamente no pior. Conhecer as alterações benignas mais comuns, como cada uma se apresenta e quando pede acompanhamento ajuda a atravessar esse momento com mais informação e menos angústia.
Fibroadenoma, o nódulo típico da mulher jovem
O fibroadenoma é o tumor benigno mais frequente em mulheres entre 15 e 35 anos. Formado por tecido glandular e conjuntivo, costuma ser firme, liso, arredondado e móvel, a ponto de “escorregar” sob os dedos durante a palpação. Na ultrassonografia, aparece como um nódulo de contornos bem definidos.
Muitos fibroadenomas permanecem estáveis ou diminuem com o tempo, sobretudo após a menopausa. Podem crescer durante a gestação e a amamentação, por estímulo hormonal, e voltar ao tamanho anterior depois. Quando têm aspecto típico, o acompanhamento com exames periódicos costuma bastar, e a retirada fica reservada para nódulos que crescem, causam desconforto ou deixam dúvida no diagnóstico.
Cistos, comuns perto da menopausa
Os cistos são bolsas preenchidas por líquido e aparecem com mais frequência entre os 35 e os 50 anos, período de grandes variações hormonais. Podem surgir de forma rápida, aumentar antes da menstruação e, em alguns casos, causar dor localizada.
A ultrassonografia é o exame que melhor os identifica, porque diferencia com precisão o conteúdo líquido de um nódulo sólido. De acordo com Vinicius Rodrigues, o cisto simples, de paredes finas e conteúdo homogêneo, é benigno e não exige tratamento. Quando provoca dor, pode ser esvaziado por punção com agulha fina, procedimento rápido feito em consultório.
Alterações fibrocísticas e o tecido irregular
Muitas mulheres percebem as mamas com textura irregular, granulosa ou com áreas mais endurecidas, especialmente na metade externa e superior. Na maior parte das vezes, trata-se de alterações fibrocísticas, resposta normal do tecido mamário aos hormônios ao longo do ciclo menstrual.
O quadro já foi chamado de doença, mas hoje é entendido como variação do normal. Os sintomas costumam piorar nos dias que antecedem a menstruação e melhorar depois dela. Exercícios, sutiã adequado e analgésicos simples costumam aliviar o desconforto. Não há aumento relevante do risco de câncer na forma mais comum, embora a irregularidade possa dificultar a percepção de um nódulo novo durante o autoexame.
Papilomas e lipomas, menos frequentes
O papiloma intraductal é uma pequena lesão que cresce dentro dos ductos de leite, geralmente perto do mamilo. O sinal mais característico é a saída espontânea de secreção clara ou com sangue por um único orifício do mamilo. Por produzir sintoma semelhante ao de alguns tumores, costuma ser investigado com exames de imagem e, muitas vezes, retirado.
O lipoma, por sua vez, é um acúmulo benigno de gordura, macio e indolor. Aparece na mamografia com aspecto característico e raramente exige qualquer intervenção. Na interpretação de Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, o reconhecimento dessas imagens típicas evita biópsias desnecessárias e acelera a tranquilização da paciente.
Benigno não significa dispensar avaliação
Saber que a maior parte das alterações é benigna não autoriza deixar de investigar. Qualquer nódulo novo, mudança na pele, retração do mamilo ou secreção espontânea deve ser avaliado por um médico, que define o exame mais adequado conforme a idade e o tipo de achado.
Algumas lesões benignas, como a hiperplasia atípica, aumentam o risco de câncer no futuro e mudam o plano de acompanhamento. Conforme orienta Vinicius Rodrigues, é a avaliação profissional que separa o achado que só precisa ser observado daquele que pede investigação, e o diagnóstico benigno confirmado também tem valor, porque devolve à paciente a segurança de seguir o rastreamento habitual.