O que o 5G ainda não entregou, mas está prestes a mudar nos negócios?

Diego Velázquez
By Diego Velázquez 5 Min Read
Luciano Colicchio Fernandes

Luciano Colicchio Fernandes, empresário com atuação ligada à transformação digital e gestão estratégica, acompanha com atenção o processo pelo qual o 5G avança de promessa tecnológica para infraestrutura operacional com impacto mensurável sobre modelos de negócio em diferentes setores. Muito do que foi anunciado quando as primeiras redes de quinta geração começaram a operar ainda não se materializou na prática, não por limitação da tecnologia em si, mas pela complexidade de construir sobre ela os casos de uso que justificam o investimento em escala. 

Aqui, você entenderá melhor por que o impacto real do 5G está apenas começando e quais setores devem sentir primeiro essa transformação.

Por que o 5G demorou mais do que o esperado?

O debate em torno do 5G nos últimos anos revelou uma distância considerável entre as expectativas geradas pelo marketing da tecnologia e o ritmo real de sua adoção empresarial. A implantação das redes exigiu investimentos massivos em infraestrutura por parte das operadoras, enquanto os dispositivos e sistemas capazes de explorar plenamente as capacidades da nova geração demoraram a chegar ao mercado em volume e custo compatíveis com adoção ampla. Somado a isso, muitas empresas ainda não haviam concluído a digitalização básica de seus processos, o que tornava prematuro pensar em aplicações avançadas dependentes de conectividade ultrarrápida e baixíssima latência.

Conforme destaca Luciano Colicchio Fernandes, a maturação do 5G segue uma lógica comum a grandes infraestruturas tecnológicas: o valor real emerge não no momento da implantação, mas quando um ecossistema suficientemente amplo de aplicações, dispositivos e competências organizacionais se desenvolve ao redor dela. Empresas que utilizaram esse período de transição para modernizar seus processos e desenvolver internamente a capacidade de trabalhar com dados em tempo real estarão em posição muito mais favorável para capturar os benefícios do 5G quando ele atingir cobertura e maturidade plenas.

Luciano Colicchio Fernandes
Luciano Colicchio Fernandes

Onde o 5G vai fazer diferença de verdade?

Entre os setores com maior potencial de transformação pelo 5G está a manufatura avançada, onde a combinação de latência ultrabaixa e alta densidade de conexões simultâneas viabiliza fábricas com automação flexível, robôs colaborativos sem fio e sistemas de controle de qualidade em tempo real que simplesmente não funcionam com as redes anteriores. Na saúde, cirurgias remotas assistidas por robôs, monitoramento contínuo de pacientes fora do ambiente hospitalar e diagnósticos por imagem transmitidos instantaneamente entre unidades distantes são aplicações que dependem diretamente da capacidade do 5G de transmitir grandes volumes de dados com latência mínima e altíssima confiabilidade.

Na avaliação de Luciano Colicchio Fernandes, o agronegócio brasileiro representa outro campo de aplicação com potencial expressivo, especialmente considerando a extensão territorial do país e a crescente sofisticação tecnológica do setor. Drones de pulverização autônomos, sensores de solo com transmissão contínua de dados e sistemas de rastreamento de frotas agrícolas em áreas remotas são aplicações que ganham viabilidade real com a expansão da cobertura 5G para regiões hoje mal atendidas pelas redes existentes.

O que as empresas precisam fazer agora?

Diante desse cenário, organizações que aguardam passivamente a chegada do 5G para então começar a pensar em como utilizá-lo tendem a perder a janela de vantagem competitiva que a tecnologia oferece para os primeiros a desenvolverem casos de uso relevantes. Mapear quais processos se beneficiariam de conectividade ultrarrápida, identificar parceiros tecnológicos com experiência em aplicações 5G e desenvolver internamente a cultura de experimentação necessária para testar e escalar novas soluções são passos que precisam ser dados antes que a infraestrutura esteja plenamente disponível.

Para Luciano Colicchio Fernandes, o 5G não é uma tecnologia que as empresas adotam, mas uma infraestrutura sobre a qual precisam construir ativamente. Organizações que tratarem a chegada da quinta geração como uma oportunidade de repensar seus modelos operacionais, e não apenas de atualizar sua conectividade, serão as que extrairão valor real de uma das maiores transformações de infraestrutura digital das últimas décadas.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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